Parece haver a ideia de que a criação de riqueza é um privilégio de poucos e a ideia de que é possível haver riqueza sem empresariado. Quem passa estas ideias para a sociedade, ou é ignorante, ou tem más intenções (ou as duas coisas).
Os países que se deixaram abraçar por ideologias políticas de esquerda com prejuízo do empresariado, deram-se invariavelmente muito mal. Isto porque a criação de riqueza provém do empresariado, facto que foi deturpado, ocultado e distorcido pelas pessoas e organizações que se focaram em atacar os empresários em nome dos interesses dos trabalhadores.

A esquerda tonta destrói capacidade produtiva, cria discórdia e causa miséria.
Chamo a esta esquerda, a ‘esquerda tonta’. Para esta esquerda, tudo o que importa são os direitos das pessoas. Todos nós nos importamos com os direitos das pessoas, mas eles apregoam-se como os únicos e exclusivos defensores desses direitos. Eles dão a entender que só eles se importam com os direitos das pessoas porque só falam nisso a toda a gente, a toda a hora. Dão a impressão de que quem não está unicamente e exclusivamente focado num discurso sobre direitos das pessoas, é contra os direitos das pessoas, o que é tão imbecil como dizer que um pai que não está focado única e exclusivamente naquilo que o filho deseja é contra os interesses do filho. Para esta esquerda tonta não há deveres, obrigações nem responsabilidades. Para esta esquerda tonta, apenas há direitos.
Esta esquerda é tonta porque, em nome dos que diz querer proteger, defende leis e práticas que prejudicam todas as pessoas, especialmente aquelas que diz proteger.
Esta esquerda tonta não está minimamente preocupada com a empresa que dá emprego ao trabalhador. Ela diz-se apenas preocupada com o trabalhador, em oposição à empresa que lhe dá trabalho. Ela diz-se amiga do trabalhador porque “defende os seus direitos”. Todos os outros, por oposição a esta ideia, são (no discurso desta esquerda tonta) antagonistas dos trabalhadores.
A própria palavra ‘trabalhador’ está carregada com a ideia de que é a unica pessoa que trabalha. Aparentemente o empresário, segundo eles, não trabalha… Com esta significância, a legitimidade do “trabalhador” fica assegurada e a legitimidade do empresário (ou do patrão) fica muito negativamente afectada.
Ao pôr-se “do lado” dos trabalhadores, esta interpretação ideológica insiste na ideia de que, na relação entre trabalhadores e patrões, têm de existir “lados”. Esta esquerda tonta alimenta-se desta divisão e tudo faz para que esta divisão subsista. Sem esta divisão, esta esquerda tonta desapareceria. A luta pela perpetuação desta divisão é a luta pela própria sobrevivência desta esquerda tonta.
Um casal é uma unidade. Mas se houver alguém que “se põe do lado da mulher”, ou “se põe do lado do marido”, então o que se realça é a divisão. O casal deixa de ser uma unidade, com propósito comum, passando a ser uma relação com uma luta entre direitos. Uma empresa é, em certa medida, como um casal. Uma empresa é uma relação duradoura em que as partes formam um todo que, em conjunto, conquista e perpetua (em maior ou menor grau) a sua sobrevivência.
Não há nada de errado nos interesses específicos dos trabalhadores. Todos sabemos que estes interesses não têm de necessariamente ser coincidentes a todo o momento com os interesses dos patrões. Mas uns não podem viver sem os outros e estas duas entidades são partes de um todo com um propósito comum, que é a sobrevivência de ambos.
Esta esquerda tonta vive do veneno injectado na relação entre os trabalhadores e os patrões. Tal como um relógio parado tem a hora certa duas vezes por dia, também o discurso desta esquerda tonta tem, aqui e ali, alguma verdade no seu discurso. Se não fosse assim, não conseguiriam ser tolerados pela sociedade e seriam rapidamente descobertos.
Esta esquerda tonta tem um único discurso: “o povo tem direitos, os trabalhadores têm direitos, os pobres e oprimidos têm direitos.” Claro que sim, que têm direitos! Tal como os patrões têm direitos, as pessoas ricas também têm direitos, como também todas aquelas pessoas que não são ricas nem pobres, todos nós temos direitos.
A razão pela qual as pessoas se chocam com a ideia de que os empresários têm direitos, de que os patrões têm direitos, ou de que as pessoas ricas têm direitos, reside no facto de, de alguma maneira, não se identificarem com essas pessoas. De alguma forma, as pessoas que vivem melhor, estão distantes de grande parte das pessoas que não vivem tão bem. A sua realidade é diferente da do resto das pessoas e, logo, fica criada a possibilidade das pessoas, que não são ricas ou que não têm empresas, não terem empatia por essas pessoas. Da mesma forma, as pessoas ricas, por vezes, estão tão distantes das pessoas pobres que perdem a empatia por elas. Este é um fenómeno humano perfeitamente passível de ser compreendido.
Qual é a empatia que um europeu tem por indonésio? Ou por um sírio? Ou por um tailandês? É a distância que quebra esta empatia. “Longe da vista, longe do coração,” costuma dizer-se.
A “distância,” no entanto, não é apenas uma questão geográfica. Uma pessoa que tenha uma cultura muito diferente da nossa, pode viver a menos de um quilómetro e, mesmo assim, estar “distante” de nós. Se lhe acontecer alguma coisa de menos bom, mas que sabemos que não há qualquer possibilidade de nos afetar, ou afetar alguém que nos seja próximo, nós teremos a tendência para ignorar.
Numa sociedade como a nossa, que nos fustiga com um avassalador fluxo de informações e estímulos, pouco tempo temos para refletir sobre quem nos rodeia. É muito fácil perder a empatia pelas pessoas porque, de algum modo, aparentemente não temos disponibilidade mental, nem emocional, para sentir empatia por todos os que se cruzam connosco. Talvez faça parte da natureza humana filtrar a empatia que temos, para não nos vermos esmagados por todo o sofrimento que existe no mundo.
Este fenómeno, de ‘afastamento selectivo’ dos outros relativamente a nós, traduz-se num grau de imaturidade social que todos temos, uns mais do que outros.
A esquerda tonta pega neste fenómeno para isolar as pessoas mais ricas e mais bem sucedidas, relativamente às pessoas que são menos bem sucedidas. Eles bradam coisas como: “Estão a ver? Os ricos não querem saber dos pobres, a não ser para os explorar.”
Esta esquerda tonta “esquece-se” de dizer que os pobres também não querem saber dos ricos, a não ser para lhes pagar os ordenados e para lhes providenciar os serviços de que necessitam. A atitude de “estou-me marimbando para eles” é recíproca, da mesma forma que, para as pessoas um pouco mais socialmente amadurecidas, a atitude é um pouco mais cordial, tanto do lado dos patrões, que genuinamente se preocupam com os seus empregados, como do lados dos empregados, que se preocupam genuinamente com as empresas onde trabalham e com os seus patrões.
Conseguirmos ter empatia por alguém diferente de nós é uma medida da nossa maturidade social. A empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, e é uma peça fundamental de qualquer relação.
Um trabalhador pouco dedicado, que seja negligente e incapaz, causa muito dano à empresa onde trabalha. Um trabalhador assim, está a ocupar o lugar que deveria estar a ser ocupado por uma pessoa mais capaz. Os clientes são mal servidos, os restantes trabalhadores são desacompanhados nos seus esforços de fazerem os seus trabalhos e o patrão tem mais dificuldade no seu propósito de manter a empresa saudável e capaz se perpetuar no futuro.
A ideia de que um trabalhador incompetente apenas prejudica o patrão é uma falácia que é frequentemente alimentada pela visão distorcida desta esquerda tonta. Pior do que isso, a esquerda tonta parece ignorar completamente que possa haver sequer um trabalhador incompetente. Para a esquerda tonta “todos os trabalhadores são iguais” e têm exatamente os mesmos direitos, independentemente do mérito que demonstrem. Ora, se isto não é uma ideia imbecil, teremos que rever o significado da palavra ‘imbecil’.
Da mesma forma, há patrões que são incompetentes e maus para os seus empregados. Estes patrões não podem ser tolerados pela sociedade. De facto, há mecanismos naturais que impedem que maus patrões tenham sucesso. Um mau patrão tem mais dificuldade de reter bons trabalhadores, e as suas empresas têm dificuldade em singrar nos seus mercados. Para além disso há leis, tribunais e organismos estatais capazes de travar os abusos deste tipo de patrões. Para esta esquerda tonta, estes tribunais e organismos estatais representam uma concorrência que é preferível fazer crer que não existe. Por outras palavras, “Para quê uma queixa na Autoridade para as Condições do Trabalho, quando se pode fazer uma bela greve?”
O facto de existirem empregados bons e maus, e patrões bons e maus, é uma coisa que a esquerda tonta faz questão de ignorar ativamente. Para a esquerda tonta, parece que todos os empregados são bons e que todos os patrões são maus, ponto!
Ao designar todos os trabalhadores como bons, os que realmente o são, são prejudicados por falta de reconhecimento. Podemos afirmar que a esquerda tonta prejudica ativamente (e deliberadamente) o trabalhadores mais competentes nessa medida.
Um indivíduo desta esquerda tonta que, na sua vida privada do dia a dia, seja mal servido por um qualquer empregado de um qualquer restaurante, é bem capaz de passar a não querer voltar a ser servido por esse empregado e, eventualmente, até mudar de restaurante na próxima vez que quiser almoçar. Com essa escolha os maus empregados saem legitimamente penalizados e os bons empregados saem legitimamente favorecidos. Esta selecção natural, que separa os bons dos maus, é o que leva os bons a quererem ser melhores e os maus a terem de rever as suas atitudes para, eventualmente, as melhorarem, sob pena de serem afastados das empresas, para bem de todos.
No entanto, esse mesmo elemento da esquerda tonta, no âmbito do seu ativismo político, finge que este fenómeno não existe e que “todos somos iguais.” Se isto não é hipocrisia, talvez tenhamos também de rever o significado da palavra ‘hipocrisia’.
A esquerda tonta é incapaz de gerir uma empresa. No entanto, recorrentemente, quer impor a sua ideologia nas empresas dos outros.
Se a esquerda tonta quisesse o melhor para os trabalhadores, então ela mostraria aos empresários como é que se faz. Se assim fosse, essa esquerda não seria tonta como é. Essa esquerda compreenderia finalmente que o trabalho é duro e que apenas os duros são capazes de o fazer. Ela compreenderia imediatamente que há trabalhadores melhores do que outros, e que é devido aos esforços dos melhores que é possível manter a sobrevivência das empresas e de todos os empregos por estas criados. Compreenderia que os melhores apenas se mantêm bons se forem devidamente reconhecidos e recompensados. Compreenderia que os maus trabalhadores são um fardo intolerável para qualquer empresa e que, com demasiados postos ocupados por empregados incompetentes, uma empresa não é capaz de sobreviver.
Essa esquerda, se gerisse uma empresa, compreenderia a estupidez das greves constantes, daquelas que são decretadas apenas “porque sim, só porque sim.”
Se essa esquerda tonta não fosse tonta, concentrava-se em fazer de cada trabalhador um bom empresário. Se ela realmente achasse que ser empresário é um privilégio, então o que deveria estar a fazer era criar mais empresários a partir dos seus próprios protegidos.
Ser empresário é, de facto um privilégio! É um privilégio baseado no mérito, no trabalho árduo e no foco racional e emocional numa atividade meritória que cria riqueza para todos. Dar trabalho, dá muito trabalho! Qualquer empresário sabe isto muito bem. A esquerda tonta não sabe isto porque nunca geriu uma empresa, nem nunca criou riqueza para a sociedade.
Termos em Portugal uma força organizada, cujo propósito é atacar constantemente os empresários e, ao mesmo tempo, cujo objetivo é criar a fantasia de que todos os trabalhadores são iguais, mantendo-os ignorantes e sem vontade de se tornarem, eles mesmos, empresários bem sucedidos… termos uma esquerda tonta em Portugal assim, é uma ameaça à nossa sobreviência como país, como povo e como sociedade que se quer próspera.
Uma esquerda responsável, humanista e que defenda o bem público, é uma coisa boa para todos nós. Uma direita responsável, que não se afaste da solidaridade e do bem comum, é uma coisa boa para todos nós. Uma direita que ignore as pessoas, ou uma esquerda tonta, são ambas, coisas más para todos nós.
Uma esquerda irresponsável, que mina constantemente a produtividade do nosso país, arrogando-se constantemente como a única campeã dos probres e dos oprimidos, criando, em nome destes, as condições para que esses pobres e oprimidos se mantenham incapazes de sair dessa sua condição, essa esquerda é hipócrita e a única forma de a denominar é mesmo esta: “esquerda tonta”.
Apenas através do nosso reconhecimento de que esta esquerda tonta é algo mau para todos é que poderemos diminuir ativamente o seu poder cancerígeno.
Espero, com toda a franqueza, que tenha lido atentamente todo este texto e que tenha reforçado a sua capacidade para detetar e repudiar o poder degradante desta esquerda tonta. Se assim foi, você poderá intervir na sociedade e protegê-la de forma mais eficaz.