O abuso na acusação de “racismo”

A definição do termo “racismo” é, segundo o dicionário online infopedia.pt, a seguinte:

“teoria sem quaisquer fundamentos científicos que defende a existência de uma hierarquia entre grupos humanos, definidos segundo carácteres físicos e hereditários como a cor da pele, atribuindo aos grupos considerados superiores o direito de dominar ou mesmo suprimir outros considerados inferiores”

Uma pessoa que não defende o que está escrito acima, e que não se reja no seu discurso (nem no seu comportamento) pela ideia de que há seres humanos que, pelos seus atributos físicos e hereditários, são superiores a outros seres humanos, não pode, objectivamente, considerar-se racista.

Abuso na acusação de racismo

Abuso na acusação de racismo

Se uma pessoa chamar a outra “racista”, terá de ter provas claras de que essa pessoa:

a) se comporta com base no pressuposto de que as características físicas e hereditárias são relevantes para considerar outras pessoas como seres inferiores;

ou

b) se pronuncia publicamente, em circunstância em que esteja a comunicar em sentido literal, de acordo com o pressuposto de que atributos físicos e hereditários são relevantes para considerar outras pessoas como seres inferiores.

Se a pessoa que chama “racista” a outra pessoa não for capaz de provar a) ou b) então estamos perante uma calúnia.

É do senso comum que a ideia de racismo é abominável e hedionda. É igualmente de senso comum que um comportamento consentâneo com essa ideia de racismo é abominável e hediondo.

Apropriadamente, uma sociedade tende a rejeitar a ideia e o comportamento motivado por ela. E, justamente, o racista é também rejeitado pela sociedade.

Por esse motivo, caluniar alguém com o rótulo de “racismo” deverá ser considerado algo igualmente abominável e hediondo.

Rotular injustamente alguém com a palavra “racista” cria um estigma que ataca fortemente a reputação da pessoa visada.

Rotular injustamente alguém com a palavra “racista” banaliza o verdadeiro significado da palavra, desagravando dessa forma o peso moral, ético e de justiça que deveria ser posto sobre as pessoas que realmente são racistas.

Abusar do uso das palavras “racista” ou “racismo”, fazendo-o injustamente e de forma reiterada, é um ataque à sociedade no seu todo e deverá ser prática condenada por todos.

É importante distinguir aquilo que é um comportamento desrespeitoso de um comportamento especificamente racista.  A sociedade deve primar para que os seus membros sejam respeitosos uns com os outros. O respeito implica que as pessoas não tenham a intenção de ofender, rebaixar, discriminar, quer seja por critérios de raça, quer por outros critérios que nada têm a ver com raça.

É ainda importante permitir a alguém que eventualmente se manifeste de forma desrespeitosa que se retrate, peça desculpa e expresse a sua verdadeira opinião.

O respeito entre pessoas é o denominador comum entre os que querem viver bem em sociedade. O desrespeito, qualquer que seja a “arma de arremesso” usada, deve ser reprimido e erradicado, não necessariamente com o esmagamento das pessoas que inadvertidamente usam desse desrespeito. Quando o desrespeito for grave e altamente lesivo, deverá ser tratado como “caso de polícia”.

Em suma, deveríamos ter mais cuidado com o uso de palavras como “racista” ou “racismo”. O propósito (não nos podemos esquecer) deverá sempre ser, termos uma sociedade melhor onde prevaleça o respeito entre todos.