Uma sociedade ignorante como a nossa

Todos os assuntos nos quais nós, como pessoas e cidadãos temos que ser bons, são completamente negligenciados pelo sistema educativo da nossa sociedade. Todos nós, de certo, concordamos que os assuntos mais importantes da vida de uma pessoa são:
– a parentalidade;
– a relação familiar e conjugal;
– a gestão financeira;
– a produtividade pessoal;
– a cidadania;
– nutrição;
– saúde.

O que temos de mais abundante na nossa sociedade são: dificuldade de dar uma boa educação aos filhos, divórcios, má gestão financeira das famílias, baixa produtividade pessoal, alheamento da vida política da comunidade e do país, problemas de obesidade e má nutrição e uma negligência generalizada na própria saúde.

uma sociedade ignorante como a nossa

Qualquer gestor saberá que, quando existem áreas que são sistematicamente deficientes numa qualquer organização, a primeira coisa a fazer é apurar as causas. Conhecidas as causas, a resolução torna-se praticamente auto-evidente e muito fácil de resolver.

O que podemos observar é que as escolas não funcionam bem, os casais continuam a não saber como manter boas relações, continua a haver uma enorme dificuldade financeira em muitas famílias, as pessoas continuam alheadas do poder político, continuam a morrer muitas pessoas com doenças causadas por obesidade e má nutrição e os hospitais continuam a ser uma solução incompleta e que falha diariamente por todo o lado.

Acredita mesmo que estes problemas ainda não foram identificados por pessoas politicamente muito influentes? Eu não acredito!

Todos estes pontos fracos da generalidade das pessoas são geradores de milhões para determinados interesses financeiros próximos do poder. Uma sociedade ignorante como a nossa é óptima para quem empresta dinheiro, para quem quer dominar o poder político, para quem produz alimentação pouco saudável, para quem vende drogas prescritas e para quem quer ganhar muito dinheiro com as massas. Uma sociedade ignorante como a nossa é óptima para fazer dinheiro. As pessoas são fáceis de manipular e suficientemente adormecidas para não conseguirem perceber o nível de manipulação a que estão sujeitas.

A indústria alimentar, a indústria dos fármacos, os Média, a grande distribuição e a Banca têm uma coisa em comum: as pessoas que estão por detrás como investidores e decisores. São muito poucas pessoas as que realmente têm uma avassaladora influência sobre tudo o que se passa à volta da vida das famílias.

A pessoa informada e educada (com a educação correcta) não acredita nas tentativas de manipulação da imprensa, não se divorcia por tudo e por nada, não educa mal os filhos, não come mal, não negligencia a sua saúde e aposta na prevenção, não se endivida para comprar coisas inúteis, não se droga com ansiolíticos e antidepressivos e está atenta ao que se passa a nível político e ao nível da gestão do bem público. Esta pessoa sabe gerir as suas finanças, procura formar-se e valorizar-se e não aceita trabalhar para ganhar uma miséria.

Esta pessoa que é devidamente educada, não é o público alvo dos Média, da Indústria Alimentar, da Indústria Farmacêutica da Banca e dos políticos manipuladores. Para estes, esta pessoa é inconveniente e desinteressante. Se houver poucas pessoas devidamente educadas na sociedade, estas são simplesmente ignoradas e não constituem grande ameaça. No entanto, se houver muitas pessoas assim, estas entidade sentir-se-ão ameaçadas e diminuídas no seu poder. Não se compadeça delas!

A generalidade das pessoas é ignorante porque as escolas não têm qualquer próposito sério para além da sua própria auto-preservação. As escolas não são mais do que elegantes depósitos de pessoas que ali ficam a gastar a maior parte do seu tempo a assimilar uma grande quantidade de conhecimentos pouco úteis para a sua vida futura. As pessoas saiem ignorantes das escolas e ninguém parece importar-se muito com isso. Essas pessoas tornam-se adultas e são elas que depois se ocupam de “educar” as gerações seguintes, perpetuando assim a ignorância que realmente interessa manter aí.

Este problema é tão grave que não é sequer reconhecido pela sociedade. As pessoas pensam que as escolas são assim, porque não podem ser de outra forma. O critério do que se ensina nas escolas parece ser muito razoável. Os professores parecem fazer bem o seu trabalho porque o trabalho deles está definido assim e toda a gente acha que esse é o trabalho a levar a cabo.

Poder-se-á dizer que as pessoas têm de aprender Matemática e Português. Claro que sim, – têm de aprender tudo isto e também Física e Química. Mas, curiosamente, até mesmo nestas disciplinas, a Escola falha com uma grande parte dos alunos. Esses alunos saiem da escola (imaginem) a odiar Matemática… Será que ninguém se questiona sobre isto?!

A Escola não sabe ensinar e não sabe o que ensinar. Parece que sabe, todos acham que sabe, mas simplesmente o que faz é o aluno perder imenso tempo com assuntos menores, deixando-o ignorante de tudo o que realmente importa.

Repare nesta ironia: você é obrigado (e muito bem!) a formar-se para conduzir um carro, mas ninguém se preocupa com a sua formação sobre como educar uma criança, como manter um casamento, como gerir as suas finanças, como ser um bom cidadão, como se alimentar convenientemente ou como salvar uma vida com primeiros socorros. Faz sentido isto?!

Você pode votar, mesmo sem perceber nada do que se está a passar no país, sem compreender como funciona o nosso sistema político ou a diferença entre o que realmente é a Esquerda e o que realmente é a Direita. Você pode votar porque o candidato fala muito bem, porque você pertence àquele partido, tal e qual como quem nasceu adepto de um determinado clube de futebol.

O facto de você achar (se for o caso) que estas incongruências são normais isso é parte do problema!

Você acha que está tudo bem porque olha em volta e não vê que a maioria das pessoas não contesta este sistema. O facto de estar na multidão fá-lo sentir confortável e pouco alerta para o perigo, desde que a multidão esteja com toda a aparência de estar confortável.

Você pensa: “Se houvesse perigo, a multidão estava em sobressalto. Como não está, eu não preciso de me preocupar.”

O que é que lhe garante que a multidão está certa, se cada pessoa da multidão pensar como você? Isto não é mais do que uma anestesia por contágio, um adormecimento coletivo, uma conformidade de massas.

Qual é a solução, então? Eu não posso apresentar-lhe o problema e não falar-lhe na solução porque isso não seria mais do que aquilo que os Média lhe fazem todo o dia, dia após dia. Os Média apresentam-lhe os problemas, mas não lhe apresentam a solução. Fazem-no porque estão desenhados para captar a sua atenção e porque assim você tende a desistir de pensar. Quanto muito você pensa: “Bem, estamos todos tramados. O que é que se pode fazer? A multidão está calma a esse respeito. Vou continuar na minha vidinha.”

Os Média são assim porque assim você dá-lhes atenção constante. E depois, porque assim as massas podem ficar anestesiadas, dóceis e cooperativas com os interesses que se alimentam delas.

Se se ama a si mesmo e se ama a sua família, você terá que olhar à sua volta e perceber o que realmente está a acontecer. Comece por compreender a estupidez a que está sujeito vinda de todo o lado – dos Média, da Escola, da Política e dos poderes que o influenciam de modo mais oculto.

É verdade que você tem de viver dentro do Sistema, mas também é verdade que o próprio Sistema lhe dá margem para que você seja mais inteligente, mais senhor de si mesmo e mais saudável. Lembre-se que as pessoas que dominam os grandes interesses que o tentam manter na ignorância, também elas vivem dentro do mesmo Sistema. Assim, o Sistema tem incluidos todos os mecanismos para que essas pessoas tenham mais poder. Elas têm mais poder apenas por uma simples razão – elas são menos ignorantes do que você.

O que você tem de fazer é olhar em volta e começar a compreender que aquilo que está mal para si, está óptimo para servir interesses e que tudo isso não é inevitável. À medida que você vai compreendendo melhor as coisas, deve procurar conhecimento que realmente funcione para seu benefício. O conhecimento que realmente funciona em seu benefício deverá produzir resultados para si e para a sua família. Pedir um empréstimo para fazer umas férias poderá parecer que é para seu benefício, mas na realidade quem sai beneficiado é o banqueiro. Comer alimentos cheios de açúcar gostoso pode parecer que é bom para si, mas na realidade quem sai beneficiada é a Indústria Alimentar.

Os divórcios, a disuncionalidade das familias e a deseducação dos filhos servem o propósito de tornar a sua vida mais difícil e mais desfocada daquilo que você realmente precisa – de uma vida agradável que lhe dê espaço para poder olhar em volta, aprender mais e ser capaz de decidir bem. Estes fenómenos sociais que degradam as famílias apenas servem para perpectuar a ignorância das pessoas, para as manter suficientemente em baixo, para que elas (como parte da massa homogénia) sirvam os interesses das elites.

O poder estará sempre nas mãos das pessoas mais astutas. O poder dessas pessoas diminui na medida em que você se torna menos ignorante e menos manipulável. Para que essas pessoas continuem muito poderosas, você tem de abdicar do seu próprio poder pessoal.

Quando se diz que “os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”, isto poderá traduzir-se em “os ricos estão cada vez mais conhecedores e os pobres cada vez mais ignorantes.”

Você encontra-se num país em que as horas gastas em debates sobre se foi ou não foi penálti suplanta em muito o tempo gasto a explicar às massas as questões de gestão política que afectam todos os cidadãos. Isto apenas é possível porque as massas se encontram incapazes de distinguir o que é, do que não é importante. Não havendo sequer essa distinção, não é possível haver compreensão. Sem compreensão não há poder.

Procure reflectir sobre quem ganha efectivamente com o quê. Quem ganha com a sua depressão, a sua ansiedade e a sua mais recentemente inventada “doença mental” é uma indústria específica – a Indústria Farmacêutica. O seu divórcio é lucrativo, assim como a disfunção de toda a sua família. Longe de serem uma solução, os medicamentos para “tratar” estes problemas são, alegadamente, geradores de ainda mais incapacidade mental, mais sofrimento interior e mais incapacidade de ser feliz, realizado e produtivo. Você está a par deste assunto? Você confia que um comprimido ansiolítico é a solução?

A sua obesidade é altamente lucrativa porque o põe a si a pensar que simplesmente “não há remédio” e mais vale comer para satisfazer o seu apetite e para se “sentir melhor”.

Procure a informação correcta sobre como se nutrir melhor. A melhor informação é aquela que, quando aplicada, realmente funciona. Tente compreender qual o modelo de negócio que está por detrás dessa informação. Não há nada de mal em haver uma empresa que produza produtos ou serviços que possam ser úteis para si. O problema é quando essa empresa na realidade o estiver a enganar apenas com o propósito de receber o seu dinheiro com poucos benefícios para si. A maior parte das práticas que pode adoptar na área da sauúde e nutrição serão gratuitas (ou muito baratas) e altamente funcionais. Por exemplo, fazer caminhadas, beber água, aumentar os vegetais, diminuir os açucares, massas e farinhas, moderar as gorduras e comer boas proteínas são tudo opções que não têm de aumentar o dinheiro que você gasta.  Se nunhuma empresa específica, ou indústria, beneficiar das suas opções de nutrição, não fique com a ideia de que está a ser um mau cidadão. Pelo contrário!

Não sinta compaixão dos bancos, das farmacêuticas, das grandes cadeias de distribuição ou seja de quem for. Pense primeiro em si e na sua família!

Repito: pense primeiro em si e na sua família!!!

Em 1935 havia o slogan “Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses”. É compreensível como slogan publicitário. No entanto, observe bem esta afirmação de um ponto de vista da manipulação do seu determinismo, da sua vontade e da sua mente. Este é um bom exemplo de como se manipulam as massas. Neste caso, o objectivo era apelar ao bom coração dos portugueses para os levar a consumir o produto de uma indústria que o regime político da altura considerou prioritário. É verdade que em qualquer indústria há empregos. No entanto, o que é que tem que pesar mais nas suas decisões: o bem estar de quem trabalha na indústria do vinho ou a sua saúde e a saúde da sua família?

Você estaria na disposição de fumar para salvar os empregos da indústria tabaqueira?

Na área do dinheiro, procure pensar “à antiga” – não gaste o que não tem, evite consumir a crédito, poupe dinheiro, invista com prudência e procure aprender o que for necessário para se tornar num profissional valioso para poder ganhar dinheiro a sério. Aprenda mais sobre o dinheiro, sobre como o ganhar e sobre o rentabilizar. Mais uma vez, procure aconselhamento de quem já provou que sabe e não de quem apenas lhe diz que sabe.

Confronte isto, por favor: a Escola não lhe ensinou nada sobre finanças, sobre a sua saúde, sobre a gestão dos assuntos da família e sobre quase nada. É um facto! (Se você foi a excepção, os meus parabéns!)

Acha que os seus filhos aprendem hoje essas coisas importantes, ou a coisa ainda piorou mais? Confronte isto, por favor: piorou!

Pense pela sua cabeça, procure o conhecimento importante que a Escola falhou em lhe transmitir e transmita isto aos seus filhos!

Não deixe os grandes interesses manipular a sua vida. Use-os em seu benefício!

Você será mais livre na medida em que for menos ignorante. Todos nós temos o nosso nível de ignorância.

Deixar-se manter ignorante é que seria muito mau!